Conflito Interno
Nem sempre encontro harmonia dentro de mim.
Há momentos em que surge uma espécie de instabilidade silenciosa a que chamo conflito.
Nem sempre ele aparece em forma de caos. Às vezes chega subtil, escondido em pensamentos repetitivos, inquietações ou numa sensação difícil de explicar.
Sempre que mergulho em introspeção para compreender esse estado, acabo inevitavelmente por chegar a três dimensões subtis do meu ser:
- espírito,
- alma,
- mente.
Espírito, alma e mente
Na forma como hoje os entendo, o espírito é a essência da vida que chegou comigo quando nasci.
A alma é aquilo que sinto, vivo e experiencio — a minha assinatura emocional única.
E a mente… essa é simultaneamente brilhante e inquieta.
A mente é extraordinária a resolver problemas. Mas também pode tornar-se um obstáculo entre aquilo que eu sou e aquilo que sinto.
Ela revisita o passado disfarçada de remorso e projeta o futuro revestida de ansiedade. Quando conseguimos estar verdadeiramente presentes no agora, espírito, alma e mente alinham-se. Quando isso não acontece, nasce o conflito interior
Quando a mente cria ruído
A mente tem facetas subtis: o julgamento e a racionalização.
A alma pode sentir uma alegria genuína e espontânea, mas logo a mente intervém:
“Não devias sentir isso.”
“Isso não faz sentido.”
“É uma perda de tempo.”
E, pouco depois, chega a racionalização.
O espírito intui um caminho, mas a mente cria argumentos lógicos para justificar outras direções. E assim surgem mais conflitos internos.
Como funciona em ti?
Em mim, muitas vezes, tudo isto derivava em ciclos intermináveis de pensamentos e repetições das mesmas conversas interiores.
Até que, recentemente, surgiu uma nova clareza.
Propósito versus missão
Talvez para muitos não tenha significado especial. Para mim, foi profundamente transformador perceber que existe alinhamento entre aquilo que intuo como propósito e aquilo que reconheço como missão.
Hoje sinto que o propósito é interno.
É a intenção pura com que o espírito chega à vida.
A sua natureza é evoluir, expandir a consciência e experienciar a existência.
É ele que responde à pergunta: “Porque estou aqui?”
E a resposta, para mim, parece sempre a mesma:
- para ser,
- para aprender,
- para elevar a consciência.
O propósito permanece, mesmo quando mudamos de trabalho, de país ou de circunstâncias.
Já a missão manifesta-se no exterior.
É a forma concreta como traduzimos o propósito em ação no mundo.
A missão responde à pergunta: “Como?”
Ela utiliza:
- os talentos da alma,
- as paixões,
- a sensibilidade,
- as dores transformadas em aprendizagem,
- e também as competências da mente.
A missão não precisa de ser grandiosa
Uma das minhas maiores revelações foi perceber isto:
a missão não precisa de ser grandiosa para ser verdadeira.
Durante muito tempo, a minha mente inquieta convenceu-me de que precisava de fazer algo extraordinário para cumprir o meu propósito.
Hoje vejo tudo de forma diferente.
Percebo que, para o meu espírito, a missão pode simplesmente estar na qualidade da minha presença naquilo que faço — seja no coaching, no desenvolvimento humano ou em gestão financeira nos seus diversas formatos.
Também compreendi que, por vezes, a missão de uma determinada fase da vida pode ser apenas:
- parar
- respirar
- procurar
- ou descansar.
O corpo sabe primeiro
Quando a mente se torna demasiado confusa, talvez o mais importante seja aprender a reconhecer o ruído.
O corpo costuma saber primeiro.
Ele envia sinais muito antes de a mente conseguir formulá-los em pensamentos ou palavras.
O que ecoou
A observação interior é importante para ti?
No meu modelo da Flor de Bem-Estar em Auto-Liderança, exploro precisamente estas dimensões e a forma como elas influenciam o equilíbrio nas diferentes áreas e dimensões da nossa vida.
