Skip to content Skip to footer

Durante muito tempo associámos liderança à racionalidade.
Analisar dados.
Definir metas.
Manter distância emocional.

Ao ler A Inteligência Natural, de António Damásio, algo ficou ainda mais claro para mim:
não existe decisão de qualidade sem sentir.

Não é apenas uma ideia inspiradora.
É biologia.

Temos de poder sentir de modo a que possamos ser conscientes.
António Damásio

Sentir para poder decidir

Há uma distinção importante no pensamento de Damásio:
emoções e sentimentos não são a mesma coisa.

As emoções são respostas automáticas do organismo.
Os sentimentos são a experiência consciente dessas respostas.

E é aqui que a liderança muda de nível.

Não é apenas a emoção que influencia a decisão.
São os sentimentos — a consciência do que se passa no corpo — que permitem a regulação e a escolha. Sem essa consciência, reagimos.
Com ela, escolhemos

O que isto muda na prática?

No trabalho com pessoas — ocupem ou não posições formais de liderança — observo frequentemente o mesmo padrão:

competência técnica elevada, mas pouca ligação ao próprio estado interno.

Decisões tomadas em tensão.
Cansaço ignorado.
Irritação normalizada.

E depois surge a pergunta:
porque desaparece a clareza?

O corpo participa na decisão antes da razão terminar a análise.
Quando ignoramos os sinais físicos e emocionais, ignoramos informação importante. Não é falta de inteligência.
É falta de integração.

Os sentimentos são monitores do estado da vida.
António Damásio

Homeostase: a palavra que sustenta tudo

Um dos conceitos centrais de A Inteligência Natural é a homeostase — o impulso natural do organismo para manter equilíbrio interno.

Damásio mostra que a inteligência humana é uma extensão desse mecanismo de regulação da vida.

Não estamos desenhados para viver em tensão constante.
O organismo procura coerência.

Talvez seja aqui que muitos modelos de liderança — incluindo a auto-liderança — falham:
ensina-se estratégia, mas raramente se fala de regulação.

Sem regulação interna, dificilmente existe liderança consciente.
Existe esforço.

A inteligência humana é uma extensão da homeostase.
António Damásio

Onde isto toca na Flor de Bem-Estar

A Flor de Bem-Estar em Liderança nasceu da observação prática.

Mas esta leitura reforçou algo que já intuía:
a dimensão física não é secundária.
É fundação.

O corpo sinaliza.
O sentimento informa.
A razão organiza.
A ação concretiza.

Quando estas dimensões estão desalinhadas, a liderança torna-se esforço.
Quando estão integradas, surge coerência.

É também por isso que, no modelo da Flor, a dimensão espiritual representa alinhamento — o ponto onde as diferentes dimensões encontram sentido. Sem pretensão científica, vejo hoje com mais clareza:
Damásio ajuda a explicar biologicamente algo que a prática já mostrava.
A Flor procura organizar essa integração.

Liderar é regular

Muitas vezes tudo começa quando não reconhecemos o que estamos a sentir.
E o que não reconhecemos dificilmente conseguimos regular.

Damásio mostra que cultura, ética e organização social são extensões da regulação da vida.
Se assim for, liderar não é apenas orientar ou decidir.
É também um exercício de regulação consciente.

E isso começa onde começa a consciência:
no corpo.

Antes de perguntar
“qual é a melhor decisão?”,
talvez devêssemos perguntar:

de que lugar interno estou a decidir?

Esta é também uma das perguntas que está na base do Manifesto | Consciência em Ação e da Flor de Bem-Estar, onde procuro explorar como a integração entre corpo, emoções e consciência pode transformar a forma como nos conduzimos, decidimos e vivemos.

Se esta visão ressoa contigo, podes explorar o manifesto e conhecer melhor A Flor e as suas pétalas.

Desenvolvemos e criamos o futuro!

Aldina Costa©. All Rights Reserved.